21 junho 2006

noite

os dias não me incomodam
as noites me confundem
os silêncios não me entristecem
os diálogos ferem

todas as coisas são difíceis, já dizia o Eclesiastes,
e os homens não conseguem explicar nenhuma delas

(Vulgate) cunctae res difficiles non potest eas homo explicare sermone non saturatur oculus visu nec auris impletur auditu

mas os olhos não se fartam de ver
nem os ouvidos se enchem de ouvir

disponho, pois, o meu coração a perscrutar a Palavra do Senhor
só assim serei livre
o sábio interprete interpreta em ações
não em palavras apenas

15 junho 2006

pentecostes

lectio divina

Sentir inteira. Mãos e corpo e mente.
Não compor nenhuma frase.
Ecoar internamente o texto ouvido.
Absorver diferente. Será que vai ficar?
Medo.
Repassar.
Repassar.
Repetir palavras.
Escolher as que ecoam mais:
IRMAOS irmaos irmaos
LIBERDADE liberdade liberdade
usem usem USEM
CARNE carne carne
SIRVAM sirvam sirvam
LEI lei lei
RESUME resume resume
AME ame ame

Oh Deus tens misericórdia de mim.
Tu tens misericórdia!
És misericordioso.
Sou necessitada.
Eis a Tua fidelidade!
Eis a tua constancia!
Eis a minha podridão.
Eis o meu fracassso nas mãos de um Deus onipotente.

08 junho 2006

aquarelas

ssa técnica de pintura.. confesso que me diverti bastante e eis o resultado:

jogo de palavras

arte........................arquitetura........sustentável............poesia
representação......observação.........verde......................música
teatro....................dúvidas...............tentativas..............pensamentos
ação.......................piração................transpiração..........respiração
coletiva.................inseguraça..........perguntas................averiguação
social.....................traços..................horas........................olhares
estranhamento....curvas.................costas.......................olhos
saborear...............compasso............medos......................percepção
digerir...................mãos...................caráter....................conveniência
argumentar..........tato......................ética.........................estética
leitura...................sensibilidade.......humildade..............complexidade
ouvir.....................chorar..................reconhecimento....intrigante
mansidão..............postura...............honrar....................curiosidade
expressão............desenho...............braços.....................corpo
indentidade.........aquarela...............dedos......................todo
eu..........................belo......................anéis........................simbolo
diminuir...............sublime................melancolia..............solitude
consciência..........graça.....................arrependimento....sobriedade
simpicidade.........profundidade.......conversão..............eternidade
firmeza................relacionamento.....alicerçada..............rocha
virtude.................amor......................evangelho..............submissão
paciência..............fé...........................perseverança.........objetivo
processo..............dificuldade............fé..............................graça
fim.......................preço......................sangue....................Cristo
esperança...........vida........................circulação................grão
rea.......................abundante.............velocidade..............plantação
arte......................arquitetura............pré-moldade.........poesia

16 abril 2006

amanhecer

por que se queixa
enquanto correm as lagrimas nos seus pés
nos seus calos
na sua face
nos seus lábios vermelhos
nos seus cabelos?

por que a desolação te consome?
por que as mentiras te interrompem?
onde está o seu vigor?


ah! qual o seu consolo?
me diz qual é a diferença
entre a noite e o amanhecer?

embora o tenahm deixado,
as marcas das suas histórias
os lutos
os estupros
não podem ser esquecidos por ninguém

as fontes que jorravam parecem secas
e até as igrejas parecem sepulcros
vejo a verdade se calando muitas vezes

ah! mas persistem a esperança e o amor
eis a diferença do amanhecer
a misericórdia se renova

14 abril 2006

lucidez

o céu se dissipa calmamente em meio às confusões mentais
acabo de perceber a minha mania de interpretações

fixei os meus olhares nas suas afirmativas
sem deixar que você se assustasse comigo
falei um monte de coisas desconexas
assim a duvida pairava ao seu lado
e a ambigüidade fluía perceptivelmente de mim
AH!
essa falta de qualquer coisa me faz perder o foco

muitas vezes eu queria não ser tão desentendida
eu não deveria agir com tanta ingenuidade
não condiz com a minha cara
sou uma estranha mesmo

meus olhos castanhos acompanhavam sua voz tremula
minha pele parda expunha um olhar tímido
desnudo e verdadeiramente triste
sua timidez me constrangeu a ouvir em quietude
seus silêncios fizeram minhas pernas se sentirem fracas

de alguma forma eu sempre sou assim:
um pouco fraca e um pouco confusa

onde estão os preceitos que eu outrora aprendi?
por que não se encontram tão evidentes?

.

se chorei? mas, pelo menos fui sincera.