08 fevereiro 2008

Ermo

"Isa 43:19: Eis que faço uma coisa nova; agora está saindo à luz; porventura não a percebeis? eis que porei um caminho no deserto, e rios no ermo."


Um gole de água
Gota esmeralda
Um pingo de suor sobre a terra
Uma pegada
Um olhar ao ermo pela frente
Um olhar ao distante que se aproximou
Um olhar disposto
Ao outro olhar


28 janeiro 2008

Uma valsa

Eis-me em plena madrugada
Os sonhos são minha força
Aguardo o despontar do sol
As lembranças são minha canção

Meu passado e a noite silenciosa

Formam um par singelo

Abraçam-se mutuamente e brindam mudanças

O raiar da historia e o amanhecer


A valsa na Iris da Lua

O samba das nuvens ao vento

As vozes dos astros em coro suave

O baile que dança meus pensamentos


A noite trouxe o movimento das minhas memórias

A chuva que respingou em quem estava por perto

Atingiu quem sente e quem vê

Depois secou e as minhas pegadas viraram pó

16 janeiro 2008

Nuvens

posso querer que o vento me leve daqui

pra longe das nuvens

mais perto do sol


preciso esperar, mas os medos me fazem fugir

meus olhos cansados

preferem sonhar


onde está o vento ?

quando ele vem?

pode me levar pro alto ou pro mar

leve as minhas nuvens

sopra o seu sol

não me deixe aqui

sem saber voar.


penso em você, e o tempo parece sorrir

lembro dos dias

dias de sol


quero lembrar que o vento faz parte de mim

na hora mais triste

vento de paz

por onde eu caminhei

julho/2007

mais uma cadeira vazia.

Crise

Meu desfecho em lágrimas

Não encontra palavras ou expressões

Minha destreza roubada

Minha tristeza trocada

Minha fragilidade exposta

Eu sinto, e o sentir é predominante

Intensidade

07 novembro 2007

Lembrando a morte do meu amigo Lelê (1983-2006)

só poderia ser nessa tarde ou em outro lugar
não poderia me sossegar, sossegar
era dia de luto dia do sol se por devagar
dia de lagrima, mas era lá dia que se tarda
dia em que o nunca se aproximou de todos que ali reunidos esperavam
a terra cobrir o que antes era vida
o choro cobriu junto com a terra até chegarmos ao ano depois
reviver é algo a que ninguém se dispõe a não ser por pouco
posso não conhecer de perto o luto de ninguém
mas conheço o meu
sofro porque o amava
no mundo em que vivemos, amar é sofrer.
a parte de mim que foi enterrada ficará enterrada
e as partes que restaram aos poucos repartidas choram novas dores
novos lutos, outros enterros, entregas.
minha dor está aqui está agora
sofro porque o amo ainda
em partes ele não se foi
por que resta a vontade de rever meu amigo meu irmão?
restam as transformações e as marcas que ele cravou
o vejo quando me olho no espelho
o vejo quando me lembro da sua feição
embora sua jactância fosse ultrajada nos últimos dias de sua vida
a sua juventude será eterna
e eu a levarei comigo à velhice se Deus me permitir
cantarei sempre saudosa
lembrarei sempre chorosa
a morte do Lelê jamais será lembrada com alegria
embora sinta o consolo do Senhor,
ele não me desampara e eu não me desespero,
a morte é um insulto e uma loucura
será lembrada com tristeza, como hoje.