19 fevereiro 2006

inerme

de lábios brancos e pele parda
cabelos diferentes e olhar estagnado
com brilho nas palavras
com límpido coração
hoje achego-me ao Senhor assim
em silencio e com pensamentos a mil
sorridente mas não totalmente tranqüila
quero louvar a sua bondade
e lembrar-me da sua esperança

louvado seja Senhor Teu nome

essa tem sido a canção que compõe os meus dias
nem sempre soa natural
mas é um exercício importante
“louve ó minh’alma ao Senhor"

Oh Deus Tu és maravilhosamente bom
e bondosamente maravilhoso
és amorosamente verdadeiro
e verdadeiramente eterno
eu te louvo
Tuas palavras são luz nos meus caminhos
Tua luz é fonte de vida
e a vida que vem de Ti é abundante
e a Tua abundancia me encanta

obrigada por ser o meu Deus
por me chamar pelo nome
o Senhor me conhece e eu conheço o Senhor
és o meu pastor e Tua vós me rodeia
“este é o caminho andai por ele”
as gramas dos Teus pastos as vezes parecem mais amargas
mas sei que me conduzes às águas mais tranqüilas
conheço a Tua vara e o Teu cajado
nunca me deixas só
sempre me agarras insegura
sempre me ensinas em níveis que eu entendo
quero aprender a Te expressar do meu jeito
pequeno

11 fevereiro 2006

05 fevereiro 2006

outra coisa

reconheço que sôo repetitiva
perdão por repetir as mesmas falhas
e por repetir as formas de pedir perdão
é sempre a mesma confissão

sempre o orgulho interrompe minhas tentativas
de tecer com excelência minha caminhada
sempre o orgulho engasga minhas expectativas
de olhar meu próximo sem lhe julgar
meu orgulho alimenta minhas invejas
meu orgulho encoraja minhas falsidades
enfrenta as minhas tentativas ser humilde
incita minhas ambições vãs
incentiva minhas futilidades

sinto-me suja por causa dele
mas não consigo me livrar desse sentimento
ele me acompanha
parece que está engastado
parece mau
parece e é.

sempre
sempre
maldito ego!
por que me tornas tão arrogante?
meu orgulho me faz querer comprar tudo
me faz querer ter tudo sem fazer nada
ele justifica meus erros pra mim

mas agora o enxergo e me coloco no chão
comeria pó se isso explicasse melhor
cortaria meu cabelo se isso me livrasse de pensar em mim mesma
mas é uma questão interna
e os atos não resolvem nada
meu orgulho luta contra tudo o que eu tento afirmar
e as vezes vence
quantas vezes agi movida por ele?

o que eu faço para conter essas minhas reações?
o que eu faço para não me orgulhar?

“Deus resiste aos soberbos mas dá graça aos humildes”

minha maldade flui de mim
o que fazer Senhor?
preciso do Teu lavar santo
preciso usar novas lentes
ser mais altruísta
mais amorosa
mais gentil
menos grossa
menos vil

30 janeiro 2006

descanso

Teu sangue precioso me transforma
enquanto minhas cisternas são rotas

Tua fonte jorra águas vivas
Absoluto és nesses dias relativos
enquanto me escondo nessas grotas
esbanjas tua luz gentil

Tua voz ainda ecoa suave
Tua voz ainda ecoa triunfante
forte e vibrante
mansa e admirável
e sempre será assim

toda a terra repousa segura
nada se move ao acaso
todo detalhe expressa
todo canto confessa
essa Tua exuberância
Suma fragrância
que hoje me cerca firme

sinto-me tua
chamaste-me porque ainda és paciente
porque teu amor ainda manifesta-se rente
sou grata pela virtude
paz imensurável
e toda amplitude que contemplo contente
fazem meus olhos transbordarem
porque seu sangue me vivifica
precioso sangue sem medida

23 janeiro 2006

Sei que entre gritos e desajustes a Sua graça ainda lhe cobre toda

A noite se desdobra em frases discretas
Secretas
Descobertas
Você despeja sentimentos e eu tento entrar nesse mundo
À mim obscuro
Duro
Posso dizer que foi deslumbrante
De Intuito tocante
Vibrante
E também foi Difícil
Emaranhado de dores e cores
Que Eu outrora não via
Agora encosta-se em mim
E fortalece a nossa trilha
Minhas mãos registraram aqueles instantes
Com linhas que não conseguimos entender
Traçado descontínuo de ver
Posso lembrar de suas lágrimas
E posso dizer que foram sinceras
Posso lembrar dos meus pensares
E ainda penso
Espero que dure
Espero que floresça

18 janeiro 2006

prefiro muitas coisas que não consigo praticar

prefiro os calados aos mentirosos
prefiro os que transpiram sentimentos nus aos insensíveis
prefiro a frieza à falsa compaixão
e a dureza à auto piedade
prefiro os culpados aos auto suficientes
prefiro os cansados aos covardes
prefiro os medrosos aos metidos
e os feios aos vaidosos
prefiro os machucados aos endurecidos
prefiro os que choram à mim mesma
porque sinto que as coisas que eu falo não fazem muita diferença
mas as minhas roupas chamam atenção
e chamar atenção é mais importante hoje em dia
nessa era de todas as eras
eu ainda prefiro os humildes
os sujos
os esquecidos
à minha extravagância
porque hoje escrevo das minhas entranhas
fugindo dos meus próprios padrões
sem medo da rejeição
com todo medo da culpa