12 março 2006
tudo em uma tela e algumas palavras
desdobram-se mútuos fatos e pensamentos
eu aqui dispersa e cansada
capto o que eu consigo lembrar
rodeando a memória recente das falas dos meus amigos
remontam-se ávidos retratos e monumentos
você aí conversa apressada
capto o que eu consigo escutar
nem sempre é assim
tem hora que as coisas parecem mais simples
as confissões alheias sempre me surpreendem mais
as minhas confissões parecem batidas
e o enredo se desenvolve oco
as pausas são longas entre cada estrofe
espero a chegada da mais pura expressão
“quais são as coisas e as cores(...)?”
em busca de uma afirmação rígida e integra
percebo na amplitude dos vocábulos secretos
um apego ao íntimo e inibido
o tempo se desmanchando em lagrimas
“prantos e glórias”
afirma a Sua presença constante
minha espinha se ergue frágil
percebo na solitude dos pensamentos discretos e inseguros
um aspecto não fingido
mais grotesco
mais singelo
mais real
então sento aqui no meu cantinho
com meu lápis na mão
06 março 2006
manifesto atrasado
Faz dias que eu não durmo o tanto que deviaInvejo você que não sabe o que eu sinto
Meu corpo treme
Cafeína corre pra eu não ser derrubada
Eu sempre demoro pra me levantar
E ando com as roupas descombinadas
Mais umas noite me venceu
Mais uma olheira pra eu tentar esquecer
Agora é impossível recuperar
E ainda não entreguei o trabalho de estruturas
Todo mundo acha meu curso meio bobo
Meio fácil
Mas eles não sabem a pressão de ter que criar algo novo e elegante
Luto por uma arquitetura mais sóbria
Luto por um raciocínio perfeito
E a perfeição é mais difícil do que exercícios de cálculo
A autocrítica é mais dolorosa do que os professores carrascos
Porque ela é mais verdadeira
Ela é mais próxima e, portanto, fere mais
Traçado sóbrio, preciso alcançá-lo
Eis o meu fado: a percepção de estar distante do ideal
Nessa vida de sempre acordada algumas coisas me perturbam
Os dias parecem demasiadamente lentos
As pessoas parecem demasiadamente ocupadas
E eu exaustivamente cansada
Nessas horas de processo .. de sugar algo de dentro
De ver que não saiu perfeito
Preferiria vomitar a estar diante das imperfeições que eu mesma criei
É difícil demais ter que criar o ritmo e a melodia
Em um estilo que eu ainda estou aprendendo a definir
É difícil demais definir
Penso que as minhas propostas deveriam refletir um pouco de quem eu sou
Mas nem sempre a pessoa que sou apresenta-se como proposta plausível
Quando chega a noite e eu não posso dormir
Isso me perturba
Me aflinge
Mas é uma aflição medíocre
De gente que não soube se organizar
De gente desesperada por expressar mais do que realmente sou
Agora já tarde de novo
Meus olhos vermelhos gritam por se fecharem
Meus dedos os forçam a continuarem
Em prol desse verso que me entorna nesse arquivo
19 fevereiro 2006
inerme
de lábios brancos e pele pardacabelos diferentes e olhar estagnado
com brilho nas palavras
com límpido coração
hoje achego-me ao Senhor assim
em silencio e com pensamentos a mil
sorridente mas não totalmente tranqüila
quero louvar a sua bondade
e lembrar-me da sua esperança
louvado seja Senhor Teu nome
essa tem sido a canção que compõe os meus dias
nem sempre soa natural
mas é um exercício importante
“louve ó minh’alma ao Senhor"
Oh Deus Tu és maravilhosamente bom
e bondosamente maravilhoso
és amorosamente verdadeiro
e verdadeiramente eterno
eu te louvo
Tuas palavras são luz nos meus caminhos
Tua luz é fonte de vida
e a vida que vem de Ti é abundante
e a Tua abundancia me encanta
obrigada por ser o meu Deus
por me chamar pelo nome
o Senhor me conhece e eu conheço o Senhor
és o meu pastor e Tua vós me rodeia
“este é o caminho andai por ele”
as gramas dos Teus pastos as vezes parecem mais amargas
mas sei que me conduzes às águas mais tranqüilas
conheço a Tua vara e o Teu cajado
nunca me deixas só
sempre me agarras insegura
sempre me ensinas em níveis que eu entendo
quero aprender a Te expressar do meu jeito
pequeno



