12 fevereiro 2007

árvore

zecapaps
kkch

reencontro

respiro o cheiro de tinta e mãos sujas
percebo a proximidade do aprender e da vagabundagem
os perigos me amedrontam

retiro o sabor de lira e frases curtas
concebo a autenticidade do querer e da cabotinagem
os falsetes me desencantam

da relutância e da melancolia eis um discurso pausado
quando quero rasgar a tinta em água e papel
de quando em quando até quando?
duvido das minhas próprias histórias

algum refúgio tem que ser seguro!
onde depositarei tamanha consternação?

conspiro o olfato de lírios e águas turvas
recebo a ansiedade do decorrer e da responsabilidade
os poemas me reencontram

04 fevereiro 2007

"o Ivo é gorego"

em noite de lua densa
o judeu, rei de Anadoris, espirra!
acorda a casa em um susto
a irmã do meio pensa
a outra aponta
o pai senta
a mãe levanta

"serei cézar!" tenho o vosso apoio?
reação clara e extensa
judeu? em tal cargo? nao soa justo!
a irmã do meio pensa
a outra conta
o pai levanta
a mãe senta

caro mané, agora serás soldado
o zeca seguirá fardado
o judeu ferirá a barba
a irmã do meio pensa
a outra canta
o pai não se espanta
a mãe nao levanta

"eu volto"

a fortaleza se desfaz
todo o riso se contrai
corpo estendido no quarto
fechado
lágrimas e temporais
dias tristes
mas a cima da dor a esperança
"eu volto"

temos esta esperança como âncora da alma
firme
segura

ergue-se a fé
as pernas se firmam
ressoa o canto eterno
"há salvação"
a voz de Cristo me refaz
todo o medo se contrai
acima da dor há esperança
"eu volto"

17 janeiro 2007

foi ótimo

raízes novas em terra firme
parece que o sorriso não é só meu
o vento bagunça o cabelo e o medo
o vento sopra onde quer

o filme parece fotografia
as passageiras soltam gargalhadas
movimento de trafego e segredos
movimento de origem exata

ainda

O tempo parece sempre ser pouco debaixo do sol.
O muito parece sempre ser nada diante do tempo.

Passei o ano novo sentindo muito medo e muita vergonha.
Muito das minhas reflexões ainda abrangem a morte do Lelê.
Será até quando essa morte me vai acompanhar?
O tema não esgota a tristeza, a tristeza não esgota o tema.
Os olhos não se fartam de produzir lagrimas.

As sombras das memórias são infindas.

A cada dia descubro um novo cômodo empoeirado de significâncias.
Os objetos precisam ser lançados fora, reconheço,
duro é olhar para eles afirmar, você é lixo de agora em diante.

JÔNJÔN: você com toda essa tragédia... se sente, mais viva ou mais morta?
Liz: mais viva... e mais morta.
JÔNJÔN: entao continuas igual só que mais!

04 dezembro 2006

simples assim

muito do comodismo se incomodou
muito do incômodo se silenciou
muito do silêncio se repetiu
muito da repetição se afogou
muito do afogamento se aprofundou
muito da profundidade se perdeu
muito da perda deixou saudades