13 março 2008

esperar

logo chega o fim?
quem diria que não?
quem diria que sim?

passa o varredor
varre a folia
passa o vendedor
traz monotonia

logo o fim chega?
quem me desanima?
quem me aconchega?

passa o primeiro dia
passa o segundo
passa o ano inteiro
leva todo mundo

o fim vai mesmo chegar?
quem ri do meu dilema?
quem pode me ajudar?

passa meu encanto
passa a beleza
resta o meu encontro
com a certeza

29 fevereiro 2008

olhe pra mim e lembre de mim

Não tenho olhos azuis
Castanhos
Não tenho pele parda
Clara
Não tenho medo de agir
Graça
Não tenho medo de ser franca
Dura
Não sou tão natural quanto pareço
Me escondo
Não tenho muitas feições
Assim
Não posso te mostrar tudo
Agora
Não posso te ver de manha
De tarde.

Olhe com amor
Olhe com carinho
Olhe sem demora
De noite eu vou-me embora.

28 fevereiro 2008

A fortaleza da solidão

Uma espécie de esconderijo,
Um grito silencioso,
Só e intransponível.

Eu penso,
Eu sinto,
Eu movo as minhas mãos.

Solto lágrimas,
Peço socorro,
Eu curvo as minhas costas.

Impressiona-me a distância erguida.
Entristeço-me com as tentativas vãs.
Frustrações desperdiçadas,
Exposta,
Pedaços de mim do outro lado da muralha.

Escolho a gratidão,
Mas continuo só.
Caminho só.
Percorro só essa paisagem interna.

21 fevereiro 2008

vou-me

Vou-me à São Paulo
Encontrar tempo para me encontrar

Vou-me sem demoras
Perder o medo de me perder

Vou-me em contraste
Vou-me em seqüência
Vou-me com alegria
Vou-me com saudades.

as luminárisa da nossa casa

cada lâmpada em sua luminária..


08 fevereiro 2008

Ermo

"Isa 43:19: Eis que faço uma coisa nova; agora está saindo à luz; porventura não a percebeis? eis que porei um caminho no deserto, e rios no ermo."


Um gole de água
Gota esmeralda
Um pingo de suor sobre a terra
Uma pegada
Um olhar ao ermo pela frente
Um olhar ao distante que se aproximou
Um olhar disposto
Ao outro olhar


28 janeiro 2008

Uma valsa

Eis-me em plena madrugada
Os sonhos são minha força
Aguardo o despontar do sol
As lembranças são minha canção

Meu passado e a noite silenciosa

Formam um par singelo

Abraçam-se mutuamente e brindam mudanças

O raiar da historia e o amanhecer


A valsa na Iris da Lua

O samba das nuvens ao vento

As vozes dos astros em coro suave

O baile que dança meus pensamentos


A noite trouxe o movimento das minhas memórias

A chuva que respingou em quem estava por perto

Atingiu quem sente e quem vê

Depois secou e as minhas pegadas viraram pó