27 março 2008

flor azul

Achei flores azuis
Azuis como o céu
Azul do meu pecado
Azul da sua boca
Azul da minha mágua

Vi beleza no som que senti
Beleza colorida
Beleza esperançosa
Beleza ilusória
Ilusões do meu azul
Azul que encontrei

Caminhei entre as flores
Escolhi apenas uma
Era minha por uma tarde
Era sua de madrugada
Era de Deus o tempo inteiro

O azul da minha história
É o azul do canto que se entoa agora
É o azul da minha miséria
O azul da minha saudade
Da fraqueza e da nudez.

O azul da minha memória
É o azul da noite que chega agora
É o azul da minha força
O azul da minha certeza
Que levou embora aquela mentira
Deixou apenas você
Flor azul
Agora posso te amar pra sempre.

17 março 2008

Apesar de mim

Muito do que eu esqueço
Não quero esquecer
Muito do que eu sinto
Não quero sentir
Muito do que falo
Não quero falar
Muito do que sou
Não quero mais ser.

Mesmo que eu queira

Não quero querer

Ainda que chore

Não quero chorar

Embora eu veja

Não quero me ver
Sendo assim,

Não quero mais ser.


Mas acontece que eu sou.

Sinto que sei que sou.

Sei que sinto que sou.

Sonho que não serei.

Apesar de mim agora.


13 março 2008

esperar

logo chega o fim?
quem diria que não?
quem diria que sim?

passa o varredor
varre a folia
passa o vendedor
traz monotonia

logo o fim chega?
quem me desanima?
quem me aconchega?

passa o primeiro dia
passa o segundo
passa o ano inteiro
leva todo mundo

o fim vai mesmo chegar?
quem ri do meu dilema?
quem pode me ajudar?

passa meu encanto
passa a beleza
resta o meu encontro
com a certeza

29 fevereiro 2008

olhe pra mim e lembre de mim

Não tenho olhos azuis
Castanhos
Não tenho pele parda
Clara
Não tenho medo de agir
Graça
Não tenho medo de ser franca
Dura
Não sou tão natural quanto pareço
Me escondo
Não tenho muitas feições
Assim
Não posso te mostrar tudo
Agora
Não posso te ver de manha
De tarde.

Olhe com amor
Olhe com carinho
Olhe sem demora
De noite eu vou-me embora.

28 fevereiro 2008

A fortaleza da solidão

Uma espécie de esconderijo,
Um grito silencioso,
Só e intransponível.

Eu penso,
Eu sinto,
Eu movo as minhas mãos.

Solto lágrimas,
Peço socorro,
Eu curvo as minhas costas.

Impressiona-me a distância erguida.
Entristeço-me com as tentativas vãs.
Frustrações desperdiçadas,
Exposta,
Pedaços de mim do outro lado da muralha.

Escolho a gratidão,
Mas continuo só.
Caminho só.
Percorro só essa paisagem interna.

21 fevereiro 2008

vou-me

Vou-me à São Paulo
Encontrar tempo para me encontrar

Vou-me sem demoras
Perder o medo de me perder

Vou-me em contraste
Vou-me em seqüência
Vou-me com alegria
Vou-me com saudades.

as luminárisa da nossa casa

cada lâmpada em sua luminária..