18 maio 2007

somente

que todos possam ver os nossos gestos de perdão
que seja evidente a esperança que há em nós
sejamos mais humildes e mais cheios de temor
seja a alegria parte do nosso viver

somente em Cristo cresçamos em amor
e aos Seus cuidados, prosseguir

e a cada esquina, em cada temporal
seja a nossa força a força do Senhor
sejamos mais humildes, mais sinceros no falar
seja a unidade parte do nosso pensar

somente em verdade louvemos ao Senhor
a cada momento, prosseguir

10 maio 2007

cacos de vitrais

corte no horizonte,
morte dos sinais
o pulso de amanhã já não sangra como antes
o riso do momento não esquece a sua dor
e a sua história

traços no semblante
cacos de vitrais
as lagrimas vertidas não comprovam a verdade
o choro é esquecido e o tempo recupera a sua dor
e a sua historia

os dias são assim
e as noites não acabam
todos caminham em silêncio
e tudo passa

fortes ou cansados
contidos pela paz
os frascos derramados manifestam Seu aroma
os ventos do perfume sopram cheiros da justiça do amor e da coragem

gargantas arranhadas
sementes de ardor
os sonhos mais sinceros impulsionam nossa força
o medo do desgosto é suprido pelo sopro do amor
e da coragem

16 abril 2007

cheios e vazios


ter medo e ser segura
ser Cristo e ter alegria

chorar e ser pura
ser eu e ser vazia

temer e ter vigor
ver o antigo e continuar no caminho

ser nova, mas lembrar sempre
ter coragem, mas ser simples

crer e nem sempre ter expectativas
ser cheia e ter vazios

18 fevereiro 2007

lento sortido apressado repetido

ao leito o peito posto a me reduzir
ao vento o tempo tenta me conduzir
segundos correm cansam fartam-se
minutos morrem mancham apartam-te
horas dormem dançam engolem-me

tempo
se eu pudesse recolher suas mostras delicadas
tempo
se ao menos nessa tarde noite manhã ou madrugada
tempo
as pressas sincronizadas de todos os seus ponteiros
tempo
refrescassem meu suspiro aleijassem meu aterro
tempo

à frente a fala fajuta a me exigir
ao lado o estrado vazio sem exibir
dias dormem dançam engolem-me
meses morrem mancham apartam-te
anos correm cansam copiam-se

12 fevereiro 2007

árvore

zecapaps
kkch

reencontro

respiro o cheiro de tinta e mãos sujas
percebo a proximidade do aprender e da vagabundagem
os perigos me amedrontam

retiro o sabor de lira e frases curtas
concebo a autenticidade do querer e da cabotinagem
os falsetes me desencantam

da relutância e da melancolia eis um discurso pausado
quando quero rasgar a tinta em água e papel
de quando em quando até quando?
duvido das minhas próprias histórias

algum refúgio tem que ser seguro!
onde depositarei tamanha consternação?

conspiro o olfato de lírios e águas turvas
recebo a ansiedade do decorrer e da responsabilidade
os poemas me reencontram

04 fevereiro 2007

"o Ivo é gorego"

em noite de lua densa
o judeu, rei de Anadoris, espirra!
acorda a casa em um susto
a irmã do meio pensa
a outra aponta
o pai senta
a mãe levanta

"serei cézar!" tenho o vosso apoio?
reação clara e extensa
judeu? em tal cargo? nao soa justo!
a irmã do meio pensa
a outra conta
o pai levanta
a mãe senta

caro mané, agora serás soldado
o zeca seguirá fardado
o judeu ferirá a barba
a irmã do meio pensa
a outra canta
o pai não se espanta
a mãe nao levanta