12 março 2006

tudo em uma tela e algumas palavras

frente às muitas frentes decorrentes do cotidiano
desdobram-se mútuos fatos e pensamentos
eu aqui dispersa e cansada
capto o que eu consigo lembrar

rodeando a memória recente das falas dos meus amigos
remontam-se ávidos retratos e monumentos
você aí conversa apressada
capto o que eu consigo escutar

nem sempre é assim
tem hora que as coisas parecem mais simples

as confissões alheias sempre me surpreendem mais
as minhas confissões parecem batidas

e o enredo se desenvolve oco

as pausas são longas entre cada estrofe
espero a chegada da mais pura expressão

“quais são as coisas e as cores(...)?”

em busca de uma afirmação rígida e integra
percebo na amplitude dos vocábulos secretos
um apego ao íntimo e inibido
o tempo se desmanchando em lagrimas
“prantos e glórias”
afirma a Sua presença constante

minha espinha se ergue frágil
percebo na solitude dos pensamentos discretos e inseguros
um aspecto não fingido
mais grotesco
mais singelo
mais real

então sento aqui no meu cantinho
com meu lápis na mão

3 comentários:

Paulo Sacramento disse...

Tenho a impressão de que o exercício da criatividade é uma das maiores expressões do caráter de Deus no ser humano.

Ivny disse...

concordo com o Paulo... e essa é uma significativa mudança de Deus em mim... há algum tempo não acreditaria que Deus se expressaria tanto pela criatividade das pessoas...

ingrid disse...

vc entendi mais do que diz que entendi. Q bom!