26 abril 2017

Meu quebra-cabeça interior




Ninguém me ensinou a me entender. Esse quebra-cabeça é só meu. Meu desafio diário, meu desafio constante, minha ambulante busca por clareza interior. Camadas e camadas de informação, percursos de pensamentos indo e vindo. Matagal fechado, galhos e mais galhos, folhas a perder de vista.

É uma caminhada, já se passaram mais de trinta anos. Amadureci, encontrei novas respostas para velhas questões. Mas esse não é o ponto. O ponto é que o barro sempre será barro. Eu sempre serei humana e os pensamentos vagueiam feito uns vagalumes. Acendem, entendi! Apagam, cadê? É uma verdadeira irregularidade.

Meu amor por quebra-cabeças cresce ao perceber-me peça e também conjunto. Pedaço e também inteira. Complicada e também simples como um encaixe. Quero me conhecer ainda melhor. Quero ser mais transparente com você. Boa tarde, qual é o seu verdadeiro nome?

A valentia de uma flor silvestre me desafia. Sua delicadeza e seu encobrimento, mistérios de um criador empolgado em fazer florescer as belezas mais sublimes em terrenos inóspitos, encostas sem observantes. Identifico-me com meu próprio nome e com tantos outros nomes. Sou mesmo Liz. Sou também pedra, barro e sabiá. Uma flor de campo que num dia floresce e noutro murcha como a relva. Sou também nuvem, barco e alfinete. Um ponto fixo no espaço imenso e no tempo escolhido para eu viver, nas matas dos dias chamados “hoje”.

Um comentário:

Geisa Mozzer disse...

Sim, vc é uma flor. Uma flor do campo que nasceu num belo jardim. Uma menina doce e elétrica, perguntadeira, obediente e gentil. Curiosa como poucas e muito feliz. Tenho ótimas lembranças da sua primeira infância! Bj grande.